segunda-feira, 29 de agosto de 2016

PRIMEIRAS SESMARIAS E SESMEIROS DE ANTÔNIO MARTINS/RN (1706-1755).


Forte dos Reis Magos.
Fonte; Retirada da Internet.
Depois de quase um ano de pesquisa sobre as primeiras ocupações do território que posteriormente viria formar o município de Antônio Martins/RN, eis a tabela da cronologia das primeiras concessões de datas de terra em nosso município;




ANO;
SESMEIROS E DATAS DE SESMARIAS.

15/07/1706
Data de sesmaria concedida ao Padre Mestre Manuel de Jesus Borges e Afonso de Albuquerque Maranhão no lugar onde os Tapuias Canindés se escondiam nas guerras.

25/07/1732
Data de sesmaria concedida ao Padre Agostinho Gomes de Amorim no Riacho das Melancias.
20/11/1732
Data de sesmaria concedida ao Coronel Salvador Fernandes da Costa no Curral da Pendência.
22/07/1745
Data de sesmaria concedida a João Pereira de Mendonça no Olho D’água das Bassouras.
16/10/1745
Data de sesmaria concedida a Ignacio da Rocha Mendonça de Carvalho e Francisco Barreto Maciel, no Riacho do Pico Branco.
18/07/1750
Data de sesmaria concedida a Ignacio da Rocha Mendonça de Carvalho e João Pereira de Mendonça no Olho D’água do Saco.
19/07/1750

Data de sesmaria concedida a Ignacio da Rocha Mendonça de Carvalho e João Pereira de Mendonça no Olho D’água do Passo.
17/11/1752


Data de sesmaria concedida a Francisco de Freitas Jardim no Olho D’água da Caatinga.

Data de sesmaria concedida a Francisco de Freitas Jardim no Riacho dos Porcos.
24/01/1754
Data de sesmaria concedida a Bento Fernandes de Lima no Riacho das Melancias.

27/11/1755
Data de sesmaria concedia a Joam Leitam Arnozo no Riacho das Melancias.
*Tabela pesquisada e organizada por Expedito Medeiros da Silva Neto.



*A maioria destes sesmeiros, pediram terras para melhor acomodar os seus rebanhos bovinos.

*Alguns nomes de sítios permaneceram, mas outros se perderam no tempo.

*As medidas das sesmarias consistiam em uma légua de largura por três léguas de comprimento.

*Entre cada data de terra, existia um pequeno pedaço por nome de ilharga que delimitava a sesmaria concedida.

*Com essas concessões os Índios que neste território vivia, perderam o espaço e acabaram sendo escravizados, mortos ou obrigados a sair de suas terras.

*Raramente o Sesmeiro morava em sua data de terra.

*Os Vaqueiros foram os principais responsáveis pela povoação do nosso município.

sábado, 27 de agosto de 2016

O PATRIARCA DA FAMÍLIA FERNANDES DE QUEIROZ DO PINHÃO


Desde criança, ainda quando brincava pelos terreiros da minha residência com um pequeno trator de plástico, ouvia minha avó falar no Alferes Francelino, avô de meu bisavô e grande fazendeiro que batizou as terras em que vivia de Pinhão. 

Nascido por volta de 1826, Francelino José de Queiroz era filho de José Joaquim de Queiroz e Sá e Isabel Fernandes de Queiroz. Era sobrinho do Padre Pedro Fernandes de Queiroz e Sá, primeiro vigário da Paróquia de Martins em 1840 e do Major do Exu, Antonio Fernandes da Silveira Queiroz e Sá. Tinha como irmãos; Rufino Fernandes de Queiroz, Maria Joaquina da Conceição, Angelina Fernandes da Conceição e Francisca Maria da Conceição.

Casou-se a primeira vez com Maria José de Lacerda, filha do Major Agostinho dos Santos Rosa e Mariana Gomes de Amorim, com quem teve seis filhos; Francisco Fernandes de Queiroz (Chico do Pinhão), Moises Fernandes de Queiroz, Mariana Fernandes de Queiroz, Isabel Fernandes de Queiroz Maria Dominga de Lacerda e Maria Fernandes de Queiroz. Devido a um resguardo quebrado, Maria José de Lacerda, ficou com algumas sequelas que a impossibilitava de segurar as sandálias em seus pés e por esse motivo, ela utilizava pedaços de pano para segura-las. Devido a isto, ela recebeu a alcunha de Maria José pé de molambo. Faleceu pouco tempo depois de casada, deixando órfãos seus seis filhos.

Francelino José de Queiroz casou-se a segunda vez com Clara Gomes de Amorim com quem teve; José Francelino de Queiroz, Manuel Francelino de Queiroz (Neco), Joaquim Francelino de Queiroz, Antônio Francelino de Queiroz, Francisca Gomes de Queiroz, Rosenda Gomes de Amorim, Maria Gomes de Amorim e Marianna Gomes de Amorim.

Esta foi a primeira geração dos Fernandes de Queiroz que povoaram todo o Sítio Pinhão.

Francelino foi nomeado Alferes da Segunda Companhia do 51º Batalhão de Infantaria do Rio Grande do Norte, pelo decreto de N. 2.027 de 27 de maio de 1895. Estas informações encontram-se no Diário Oficial da União do mesmo ano. Neste documento, ele aparece como José Francelino de Queiroz e foi nomeado juntamente com os senhores Mathias dos Santos e José Antonio dos Santos, o primeiro seu cunhado e o segundo sobrinho de sua primeira esposa.
Recortes do Diário Oficial da União de 29/05/1895.

Alferes Francelino era um fazendeiro que possuía muitas terras, herdadas de seus pais. Ele possuia terras em Serrinha, Ponta da serra, Almas, guarita, Sampaio, Tabuleiro de Areias, Pilões, Pico Branco e sua maior propriedade, a fazenda Pinhão.

Faleceu de causas naturais na casa onde morava com seu filho, Chico do Pinhão, no ano de 1902. Está sepultado no cemitério municipal de Martins/RN.

Residência onde o Alferes Francelino viveu seus últimos dias.

Na fazenda Pinhão existiam grandes plantios de milho, feijão, mandioca e cana de açúcar. Existia um engenho de fazer rapadura e uma casa de fazer farinha, conhecida como aviamento. De acordo com seu inventário, no ano de sua morte, 1902, pastavam em suas terras 91 rezes e 39 animais cavalares.
Eis algumas poucas informações do senhor que foi o principal responsável da povoação das terras do Pinhão.



OUTRAS INFORMAÇÕES;
*O nome Pinhão surgiu devido a grande quantidade de Pinhões (jatropha curcas) que ali existia.


*A residência onde morou José de Dionísio foi a ultima moradia do Alferes Francelino.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

UM DEPUTADO NO SÍTIO XIQUEXIQUE


Em minhas pesquisas pela zona rural de Antônio Martins/RN, tenho encontrado muitas histórias e estórias que poucos munícipes sabiam. Uma das histórias que mais me chamou a atenção foi a de certo Coronel que viveu nas terras do Xiquexique desde a segunda metade do século XIX, até inicio do século XX. O nome deste Coronel era João Bernardino de Paiva Cavalcanti.

Por ter sido informado que na cidade de Alexandria/RN existia um colégio com este nome, resolvi visitar o Instituto Zulmirinha Veras,  onde encontrei um livro intitulado “Patronos Escolares”, que foi organizado pelo presidente da instituição, o advogado e pesquisador George Veras. Este foi de muita utilidade para minha pesquisa bibliográfica. Eis então, o resumo da vida deste homem;

Cel. João Bernardino. FONTE;
Patronos Escolares.

João Bernardino de Paiva Cavalcanti nasceu em 30 de Janeiro de 1841 na fazenda de seus pais João de Paiva Cavalcanti e Delfina Ferreira de Paiva, no município de Maioridade (primeiro Nome do município de Martins quando em 10 de novembro de 1841, por força da lei de nº 71, foi emancipada do Município de Portalegre).

Suas primeiras letras foram aprendidas com professores particulares, que ensinavam em sua própria residência. Desde muito novo, João Bernardino já se mostrava interessado na pecuária e agricultura.

Casou-se com Dona Inacia de Albuquerque Barreto de Paiva (Sinhá), a 12 de Novembro de 1870. Esta era filha do segundo intendente de Maioridade, Domingos Velho Barreto Junior e Ignacia Francisca de Albuquerque. Deste consorcio nasceram quatro filhos; Horacio Barreto de Paiva Cavalcanti, Francisco de Paiva Barreto, José e João.

Sendo um dos maiores criadores da região, João Bernardino fixou moradia na fazenda Xiquexique, que naquela época pertencia ao território de Martins. Foi lá onde ele foi nomeado Coronel da Guarda Nacional em 1890 e em 1891, constrói seu sobrado que se encontra de pé até os dias atuais.


Casarão onde morou o Cel. João Bernardino e sua família.

Por ser um homem de boa índole e pacífico, foi eleito Deputado Estadual em 1900, sendo reeleito sucessivas vezes, onde em 1907, participou do congresso que reformou a Constituição do Estado. Era um deputado integro e honesto que devotava grande fidelidade ao seu partido e a suas convicções políticas.

Em 6 de agosto de 1912, na cidade de Pau dos Ferros/RN, morre o deputado que havia lutado pelo desenvolvimento de sua região, pelo povoado de Barriguda, pelo bem estar da coletividade. Faleceu depois de receber a extrema unção da igreja católica, igreja esta que ele foi fiel até o fim. Ao seu lado na hora do desencarne, estava sua esposa e seus filhos.


Com a emancipação do município de Antônio Martins em 1963, o Sítio Xiquexique passou a compor o grande território municipal, e as terras do Cel. e Deputado, encontra-se fazendo parte deste, inclusive seu belo casarão.





OBS; As informações básicas foram tiradas do livro "Patronos Escolares", que tem como organizador o advogado e pesquisador George Veras.
As outras informações foi colhida em visita ao Sitio Xiquexique.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A CASA GRANDE DO SÍTIO BAIXA, ANTÔNIO MARTINS/RN.

Casa grande do Sítio Baixa, Construída em 1840.

Quem já visitou o sítio Baixa no município de Antônio Martins, possivelmente se encantou com um casarão em ruínas que lá existe. Aquelas paredes altas e largas ausentes de reboco, aquele teto amarronzado parecido com o solo da região, aquelas largas e altas portas, encantam os olhos de quem a ver.

Para entender melhor a história por trás daquela casa e daquele lugarejo, contei com a ajuda de um dos proprietários que de bom agrado me recebeu e me deu as informações necessárias para este apurado. José Maria é um dos descendentes diretos dos primeiros proprietários daquela gleba.

Era nos idos de 1840, quando Joaquim Vicente Ferreira Cumaru, Manuel Juvêncio de Oliveira Cumaru e Alexandrina, resolveram construir uma edificação diferente das demais existentes naquelas terras e na região. A edificação por sua vez, seria construída de tijolo e telha para ser diferente das outras residências que eram de Taipa.

Tendo como base um alicerce feito de pedras retiradas das serras que a circundam, a casa foi construída com o tijolo cozinhado nas próprias olarias localizadas nos baixios (terreno mais baixo e que nos períodos de cheias nos rios, é lavado pela correnteza. O seu solo é argiloso e rico em minerais) da região. As telhas também foram feitas no mesmo lugar.
Vista frontal do casarão. Em segundo plano, os primeiros indícios do processo de ruína.

Como na região ainda não existia casas com estes materiais, os idealizadores do projeto recorreram aos mestres de obras da cidade do Recife, no estado do Pernambuco. Depois de algum tempo, chegou ao Sítio Baixa dois pedreiros, que com a ajuda de alguns escravos, iniciaram a construção da moradia moderna.

Com a conclusão da obra, os pedreiros voltaram para sua cidade origem e os senhores proprietários passaram a habitar aquele recinto recém construído.

A casa conta com duas salas grandes, dois corredores que dão acesso a alguns quartos, duas grandes cozinhas e uma sala de jantar. Infelizmente, algumas portas foram fechadas, mas ainda é possível observar que seus cômodos seguiam o estilo de labirintos, que caso houvesse alguma invasão, seria possível fugir de lá levando alguns bens importantes.

Com relação aos proprietários, estes eram filhos de Manuel Ferreira da Silva Santiago, o Major do Sitio Serrinha do Major. Este por sua vez, era proprietário de aproximadamente 20 escravos e de grandes extensões de terras resultantes da herança de seu pai, o Sesmeiro e Sargento-mor Francisco de Freytas Jardim, que em 1752 suplicou duas datas de sesmarias na vertente do Riacho dos Porcos. O Major Manuel Ferreira nasceu no ano de 1790 e faleceu no dia 06 de Abril de 1860.

Ainda em conversa com o senhor José Maria, ele revelou-me que em breve irá reformar o casarão, não modificando sua estrutura original. Ficarei aguardando com grande ansiedade a restauração desta casa que hoje se encontra em situação de risco, sendo ameaçado cair a qualquer momento.

sábado, 20 de agosto de 2016

Escritos de Rita Maria de Jesus, minha bisavó.

A canção a seguir, foi feita por Rita Maria de Jesus para sua mãe Rita Maria da Conceição, ainda na sua juventude. Seguindo as normas paleográficas, os escritos foram mantidos como no documento original, seguindo com fidelidade a escrita e a pontuação.


Fotografia do documento paleografado.

Modinha bella

Acorda vem escutar
Vem ouvir a quem ti chama
Que eu quero ti perguntar
Si com afirmya a inda q mi ama


Estribilho
Tu mi engannase mi inludise
Roubase a minha bôa Fê
Mas com saudade e com desprezo eu te abandonno
Irei viver como Deus quizer.


Hôge mi vigi disprezo
Vou procurar outro amante
Teu coração mim foi tão falço
Q mim pra ti tê tão constante

Estribilho
Tu mi engannase mi inludise
Roubase a minha bôa Fê
Mas com saudade e com desprezo eu te abandonno
Irei viver como Deus quizer.


Voz mesmo fosse o cauzador
Di nosso amor si acabá
Maldita lora que eu ti vi
Maldito dia quando fui ti amar

Estribilho
Tu mi engannase mi inludise
Roubase a minha bôa Fê
Mas com saudade e com desprezo eu te abandonno
Irei viver como Deus quizer.

Fim.



 [...]

Pertence estas dizimas a senhorita Ritinha Fernandes dos Santos feitas por mim

Rita Maria da Conceição.


* No verso desta canção, consta o oferecimento das rimas à senhorita Ritinha Fernandes de Queiroz, que é a mesma Rita Fernandes da Conceição .

* Nesta dedicatória Rita Maria de Jesus se apresenta como Rita Maria da Conceição.

* Estes escritos foram feitos em Timbaúba, nos idos de 1920.

Rita Maria de Jesus, a Autora destes versos ainda em sua Juventude.

sexta-feira, 19 de agosto de 2016

Subsídios para a História de Pilões/RN

Neste dia 19 de agosto, data esta em que o Município de Pilões/RN comemora os seus 53 anos de Emancipação Política, como filho adotivo desta terra me sinto na obrigação de fazer este breve resumo do que já pesquisei sobre este município. Esta foi a forma melhor que encontrei para agradecer aos pilonenses, a receptividade e acolhida que tive durante minha carreira estudantil.

Bandeira de Pilões, desenhada pela professora Odete Queiroz.

PRIMEIROS HABITANTES

No período anterior a chegada dos Portugueses nas terras em que posteriormente viria ser o Brasil, nos declives dos serrotes e nas chãs entre eles, ainda viviam em Paz vários Índios pertencentes a nação tarariu. Para os Índios que viviam no litoral, estes eram os Tapuias que na língua tupi quer dizer; Silencioso.

No território que posteriormente viria formar o município de Pilões/RN, viviam os Índios Tapuias Panatis e Icós, que dividiam este espaço com preás, tejos e aves diversas que viviam de galho em galho de angicos e cumarús. Estes grupos humanos eram seminômades e só estavam presentes neste espaço até toda a reserva alimentícia não mais existir. Comiam de tudo e em grande quantidade, não sabendo a hora de parar, adoeciam e recorria aos remédios que a natureza oferecia.

Estes Índios viviam nas proximidades da Cachoeira e na localidade onde hoje é o Sítio Poço de Pedra. E as gravuras rupestres existentes em ambos os locais são as provas de suas passagens e habitações.

Estes primeiros habitantes tiveram o contato direto com os primeiros vaqueiros e posseiros que desbravavam o sertão potiguar.

PERÍODO COLONIAL

A primeira citação do nome Pilões, acontece em 16 de outubro de 1745, onde os suplicantes Ignacio da Roxa e Francisco Barreto Masciel, pediam terras que se limitava com a Fazenda dos Pilloens que pertencia ao Capitão Juam Leitam Arnozo.


Em 02 de dezembro de 1755, o dito Capitão Joam Leitam Arnozo oficializa as terras que antes eram ocupada pelo seu rebanho bovino, pois o mesmo na dita carta, afirma não ser morador daquela gleba mas morador de Goyaninha. Nesta petição o dito suplicante pede novas terras para que possa acomodar melhor seu gado, já que entre as fazendas Serra Branca do falecido Salvador Fernandes (hoje Sítio Xiquexique) e a fazenda da Milhã, existia uma parte de terras ao Norte que estavam devolutas e que iam até o Riacho das Melancias onde o mesmo já havia colocado o seu gado para pastarem nas proximidades de uma lagoa chamada Urai (hoje lagoa do Pinhão ou Lagoa do Junco, atualmente localizada no município de Antônio Martins/RN). A carta de Data de Sesmaria foi concedida no mesmo dia e o Capitão Joa
m Leitam Aronzo, mesmo não morando nas terras por ele suplicada, passou a ser o senhor e possuidor de toda a vastidão requerida.

Nestas terras recém concedidas, o dito proprietário deixou os seus vaqueiros que com suas famílias, formaram a primeira povoação da Fazenda Pilloens.

DE FAZENDA A CIDADE

A Fazenda Pilloens, já não mais existia, com o surgimento de cidades como Martins e Pau dos Ferros, o sítio começou a ser povoado em pouco tempo. Sua povoação deve muito aos Fernandes e Queiroz, que mesmo morando no Sítio Pinhão, não deixavam de dar assistência aos recém chegados naquelas terras. Os seus primeiros moradores foram retirantes que viam no pequeno vilarejo um futuro melhor para si e seus herdeiros. Foi neste período que o Sítio passou a ser conhecido por Vasto Horizonte, em alusão a altitude e os descampados que possibilitam ver o encontro entre as serranias e o céu azul.

O Sítio Já possuía muitos moradores quando chegou naquele lugar Francisco Antônio de Moura e Joana Dantas de Moura, responsáveis pelo desenvolvimento econômico do lugarejo.

Em 1932, houve uma seca que se alastrou até os anos de 1933. Durante este período, Francisco Antônio de Moura queria ir embora, porém sua esposa queria muito ficar naquelas terras promissoras. Foi então quando a senhora Joana Dantas de Moura resolveu fazer uma promessa com Nossa Senhora do Perpetuo Socorro.

Para a felicidade dela e de seu esposo, em 1934 houve chuvas abundantes e logo iniciaram a construção da Capela. A ajuda vinha da parte de todos os moradores, quem não tinha dinheiro para oferecer, oferecia dias de trabalho. Foi um período de grande esforço, mas conseguiram por fim, erguer a Ermida em Honra a Nossa Senhora do Perpetuo Socorro.

Em 1962, Vasto Horizonte passa a ser considerado distrito de Alexandria/RN com o nome original de Pilões. E em 19/08/1963, por força da lei de N° 2 905/63 passa definitivamente a categoria de município, sendo seu território desmembrado do Município de Alexandria/RN.

Atualmente, o Município de Pilões/RN, conta com todos os aparelhos necessários em uma cidade e esta hoje, possui aproximadamente 3.761 habitantes de acordo com dados do IBGE de 2010.

PARABÉNS PILÕES!!!

FOTOGRAFIAS;

DE ONTEM;
Mutirão de Primeira Eucaristia e Crisma em 1974.
Detalhe da primeira fachada da Capela de Nossa Senhora do Perpetuo
Socorro.







DE HOJE;
Gravura rupestre existente na Cachoeira de Pilões

Cachoeira de Pilões.
Gravuras Rupestres do Sítio Arqueológico do Poço da Pedra.
Vista da cidade de Pilões.


ANEXOS;
1) O nome Pilões surge a primeira vez devido ao grande numero de angicos e aroeiras por ali existentes. E estas eram utilizadas para fabricarem Pilões. É muito comum encontrar documentos de terra que falam em "ter direito a corte de madeira em Pilões".

2) Nas proximidades da cachoeira de Pilões/RN, existiu um quilombo de escravos fujões.

3) Existia uma casa onde hoje é a praça de eventos. Esta residência pertencia a Francisco Francelino de Queiroz ou Chico do Pinhão. Lá era o ponto de apoio da família e de pessoas que procuravam serviços de cabeleireiros e de dentistas. lá também, funcionou por muitos anos um café de propriedade do Senhor José de Eneias.

4) A praça principal da cidade de Pilões tem o nome de Demócrito de Souza.

 5) O município de Pilões tem crescido recentemente dentro do município de Antônio Martins/RN.


FONTES;
CASCUDO, Luis da Câmara. Nomes da Terra. 1 ed. Natal. Fundação José Augusto,1968. v. 1. 321 p.
MONTEIRO, Denise Mattos. Introdução à história do Rio Grande do Norte. 1 ed. Natal. edufrn, 2000. v. 1. 244 p.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Carta de Data e Sesmaria no Riacho do Pico Branco em 1745

Recentemente em minhas pesquisas, encontrei informações sobre uma Data de Sesmaria no Riacho do Pico Branco em Outubro de 1745. Seus suplicantes atendiam pelo nome de Ignacio da Roxa e Francisco Barreto Masciel. A terra suplicada se iniciava no Riacho do Pico Branco e ia até o Riacho do Pico Grande. Este é o Primeiro documento onde se cita o nome deste sítio. Eis o que diz a Carta de Data e Sesmaria;


Primeira parte da carta de Data e Sesmaria do Pico Branco.
FOTO; Helder Macedo.




"Nº 355

Registro de huma carta de datta e sesmaria concedida a Ignacio da Roxa e Francisco Barreto Masciel a terra declarada em sua petição desta incorporada em 16 de outubro de 1745..........

 Francisco Xavier De Miranda Henriques nosso fidalgo da Capitania da sua majestade, Cavalleiro professo na ordem de Christo Capitam mor e governador das armadas da capitania do rio grande pello desm. E fasso saber aos que esta minha carta de datta e sesmaria virem qe porquanto a mim me enviou a dizer por uma petição por escripto Ignacio da Roxa e Francisco Barreto Marciel, cujo theor Hê o seguinte, ilmo. Cap. Mor e gov. Dizem. Ignacio da Roxa e Francisco Barreto Masciel morador no certão desta capitania que tem seus gados e não tem terras em que possão criar e por que no certão do Apody há hum olho de agoa e riacho encravado no Pico branco que fica entre as fazendas do olho da agoa do capitão José Pereira e fazenda dos Pillons do capitam João Leytão... e a fazenda dos buqueirão do Capitam Leandro Sarayva no meyo dellas querem os supptes haver para ambos tres legoas de terra de comprido e huma de largo onde entre azditas fazendas se acha terra devolutas e desaproveitadas e correndo com ellas para donde melhor conveniência lhe fazer heganda nas terras oi qualquer desprovidas e donde lhe for mais comodo em razão das agoas e pastos ficando lhe sempre de dentro do dito olho de agoa do Pico Branco, e o olho de agoa do Pico grande e sendo caso que não haja as tres legoas de comprido e légua e meya de largo e fazendo se necessario lhes for ao comprimento ou da largura ou da largura e comprimento. Pedimos a vossa majestade que seja servido conceder lhe as ditas terras na forma de costume a elles e seus herdeiros ascendentes e descendentes sem foro nem pensão mais o dizimo a Deus e recebera um informe do governador provedor da fazenda real,, Miranda, informa o escrivão da fazenda Bento , senhor governador provedor estando as terras que os suplicantes pedem devolutas e desaproveitadas como afirmão lhe devem conceder para que as povoem logo, conforme as ordens de sua majestade com condição de não prejudicar a terceiros nem exercer a taxa e a mais ley e ordens ao dito senhor, cidade do Natal 16 de outubro de 1745. Bento Ferreira Mousinho,, senhor capitam mor e governador da capitania informo a vossa majestade com que me informei na descrição sem embargo convem vossa majestade mandar que lhe for servido Cidade .........bro de 1745. Ignacio de Souza Rocha e Branco,, pase a carta aos suplicantes e que pedem e confrontão em vasta peticão observando em tudo as rodens de vossa majestade El regimento,, Miranda em procedência do qual o despacho se passou e mandam pasar a prezente carta de data e sesmaria pela qual faco em nome  do elrey em virtude  de sua real ordem de 22 de dezembro 1450 aos suplicanttes Ignacio da Roxa e Francisco Barreto Masciel da terra que pedem e confrontão em sua petisão não exercendo a taxa e nem prejudicando a terceiros. Elles e seus herdeiros  ascendentes e descendentes exepto religiosos o qual gozarao com todas as agoas matas campos alagosas testadas logradouros e mais uteus que nellas ouveres com condissão de as povoarem medirem e demarcarem dentro do qüinqüênio da ley. E serão obrigado a darem pellas ditas terras caminhos livres as pedreirs e pagarçao o dizimo a deus dos frutos que dellas darem. E dentro de hum anno hverão a conformação do elrey pello conselho ultramarinno pello ordena ao governador provedor da fazenda real lhe der essa pose real afectiva e actual na forma costumeira e das mais ordem. Livro quarto do titulo 42. Sobpenna de darem por devolutas e se darem a quem as pedir que por firmeza de tudo lhe mandei pasar adiante por mim asignada e sellada com o sinette de minhas armas. Se registrara nos livros= desta secretaria e nos da fazenda real desta capitania. Dada e passada nesta cidade do Natal capitania do Rio Grande do norte aos 16 de outubro do nassimento de nosso senhor Jesus Christo de mil setecentos e quarenta e cinco. Manuel das Neves Oliveira secretario deste governo Francisco Xavier de Miranda Henriques,,  carta de datta e sesmaria pela qual vossa majestade houve por bem conceder em nome do elrey aos suplicantes Ignacio da Roxa e Francisco Barreto Masciel da terra que pedem e confrontão nesta petisão nella incorporada, digo referida, para que eu li e não se continha em mais dittas cartas que eu Manuel das Neves Oliveira aqui registrey como nella se continha.”


(O documento foi transcrito da forma que havia sido lavrado, conservando a escrita e pontuação).


ANEXOS:
O nome completo de Ignacio da Roxa era Ignacio da Roxa Mendonça de Carvalho.

A Fazenda Pillons citada como limites da terra suplica é hoje a Cidade de Pilões/RN.

O Pico Grande é conhecido hoje por serra da Veneza e ainda hoje lá, existe remanescentes dos Barretos. 


quarta-feira, 17 de agosto de 2016

PERSONAGENS: Manuel Francelino de Queiroz, o Velho Né do Pinhão

Nestas minhas andanças procurando histórias e estórias pelos Sítios de Antônio Martins, certa vez encontrei-me na casa de José Fernandes de Queiroz, no Sitio pinhão. Ele contou-me que havia feito um resgate histórico de sua comunidade e prontamente me presenteou com um exemplar. Ao ler, vi um personagem que me chamou bastante atenção, seu nome; Manuel Francelino de Queiroz ou apenas; "O velho Né do Pinhão".



Nos escritos feitos pelo professor José Fernandes, afirmava que este senhor tinha se casado duas vezes, tido muitos filhos, era proprietário de uma grande extensão de terra e possuía grande prestigio. Foi a partir destes escritos que comecei minha busca, e eis os resultados;


Né do pinhão e sua segunda esposa.
Manuel Francelino de Queiroz era filho de Manuel Francelino de Queiroz (Neco) e Margarida Gomes de Amorim. Este Nasceu na segunda metade do Século XIX na residência de seus pais que hoje se encontra demolida. tinha como irmãs Maria Gomes de Amorim, Margarida Gomes de Amorim (Sinhá), Clara Gomes de Amorim, Valdivina e Mariana.

Casou-se a primeira vez com Maria Olimpia Fernandes dos Santos com quem teve quatro filhos. Esta Maria faleceu ainda jovem, deixando seus filhos sob a custódia de seu marido e de sua irmã que casou-se anos depois com o então viúvo. O nome da segunda esposa era Ana Olimpia Fernandes dos Santos e com ela teve doze filhos.

Meses antes de se casar com a primeira esposa, o Velho Né inciou a construção de sua residência. esta por sua vez, teve sua fundação em um pequeno morro de onde se tem uma vista de todo o Sítio Pinhão. Ela possui dezoito cômodos, sendo considerada a maior casa daquele logradouro. Suas paredes são feitas de tijolo e barro.

Residência do Velho Né. 

Este Senhor, possuía grande extensão de terras, muito gado e alguns cavalos, como consta em inventario. Foi dele também uma das primeiras tecelagens do nosso município, onde as suas filhas eram as tecelãs que fabricavam redes, mantas de algodão e cordões.

O Trabalho no tear (instrumento feito de madeira) era realizado rotineiramente, visto que este não existia em nenhum lugar das proximidades. As mulheres fiavam o algodão e enviavam os novilhos de fios para que as meninas de "Seu Né" transformassem em tecido.

Exemplar do tear que existia na casa de Seu Né.

Com o passar do tempo e a eclosão das grandes fabricas de tecelagem, o pequeno tear manual ali existente deixou de funcionar e virou comida de cupim, até que foi completamente destruído, restando apenas cinzas.

Com o falecimento do "Velho Né" e de sua segunda esposa, sua herança foi dividida entre os filhos e netos e hoje, só habitam nestas terras seus herdeiros.

A sua imponente residência se encontra em situação de risco e o seu neto que ali morava, se viu obrigado a sair da dita casa por questões de segurança.

Vale lembrar que este senhor é o bisavô de José Julio Fernandes Neto, atual prefeito da Cidade de Antônio MartinsRN.




Agradeço a todos os descendentes de Manuel Francelino de Queiroz, que me repassaram informações importantes para elaboração desta publicação.

HISTÓRIAS QUE MINHA VÓ CONTAVA

O principal intuito deste Blog é levar o visitante a viajar através de imagens, textos, poemas e crônicas, para o passado... o nosso PASSADO!

Vovó Raimunda
DO NOME DO BLOG...
Escolhi este nome em homenagem a minha Vó materna Raimunda Bezerra de Oliveira, de onde herdei toda a paixão pelo passado.  

Lembro-me das vezes que ia até sua casa ainda quando criança, para escutar ela contar os causos acontecidos em sua época de mocidade. Brincadeiras, casamentos, bailes e o dia a dia, eram os pontos norteadores das narrativas executadas por ela. Com voz mansa e forte, ela falava das tristezas, dificuldades e alegrias de se ter vivido naquele tempo... foi ela que me ensinou que o passado deve ser lembrado e preservado para que as pessoas do futuro contemple o que já não existe!

À ela o blog, o carinho, o amor e todo o meu respeito...