segunda-feira, 28 de novembro de 2016

A SECA


Flagelados da Seca de 1877/1878. Imagem retirada da Internet.

Por Viriato Correa, 1912;

A seca ia, naquele ano, flageladora e cruel. Tinham corrido pelas cercanias dos sertão as tormentas da fome, as agruras revoltas da miséria e da desgraça. Não haveria mais pelos celeiros um punhado de farinha para enganar o estômago, nem pelas cozinhas a fita azul do fumo dos fogões denunciando que se comia.

O verão batera formidável. Desde Julho que o céu se tornara daquele azul intenso de safira translúcida, um azul ofuscante e ardente, que punha visões faiscantes nos olhos e tonteiras cegadoras na visão.

Não havia um prenuncio de chuva. Era sempre o mesmo céu, duramente azul, descampado e cru, sem uma nuvem branca alegrando os horizontes, os prados perderam a fresca coloração das ramarias e das flores, os campos não tiveram mais a claridade do verde e a ondulação das tintas, os morros ficaram sombriamente sem tufos de verdura, e as matas, dia a dia, tornaram-se de um amarelo cada vez mais tristonho. E, quando o sopro violento do verão passava, ia carregando para longe turbilhões de rolos de folhas caídas.

Nos roçados nem uma semente rebentou, não houve nos baixos o alaranjado fosco dos arrozais em cachos, nem uma palma de pindoba tremeu; tudo tomou a taciturnidade de ruína _ ruínas de troncos, coivarados combustos deitados aos montões, pela capoeira sem vida.

Dezembro veio. O Natal passou, viúvo de sambas e palpitares da viola à beira das latadas. Chegou janeiro, e janeiro foi-se e os laranjais não floriram, as raparigas do campo não toucaram os cabelos, e os terreiros não tiveram voluptuosidades de danças.

Pássaros deixaram o veludo dos ninhos: bateram plumas para longe, em busca de copas e sombras. As manhãs nasciam sem asas e gorjeios, umas manhãs furiosamente iluminadas, flamejadoras e grandes, com cambiâncias e estridências ásperas de fogo e clarões.

Os poentes eram largos incêndios de ouro, largos jorros de sangue, derramados profusamente pelo céu; e, quando pela terra caíam as primeiras sombras crepusculares, o sol ficava ainda no fundo, pregado na curva do firmamento, colossal e redondo, a comburir, como uma chapa de bronze, vibrando de incandescência.

Ninguém mais teve sossego. Velhos matutos lembraram preces pela desolação do campo. E preces foram feitas. Mas a chuva não caiu, e o sol ficou sendo o mesmo sol de tragédia, a rolar de horizonte para horizonte, a nascer as mesmas horas, a percorrer os mesmos caminhos.

Maio entrou e maio saiu, sem um florão nos ramos das arvores, sem os trinta e um dias de festa em honra de Maria: sambas ao luar, saracoteios de chorado ardendo nos terreiros. As violas dormiam desencordeadas pelos cantos das palhoças, e as rimas das trovas nunca mais afloraram à boca dos troveiros.

Os olhos d’água secaram, os riachos mostraram a nudez dos leitos. Foi preciso cavar a terra, para que se encontrasse no fundo o que beber. Campos, matas, baixios e prados eram vastos desertos, miseravelmente desempanados às amarguras do povo; os arvoredos, perdendo de todo os últimos verdores, eram imensos esqueletos, erguendo os galhos desfolhados numa agonia súplice de quem pede frescuras.

O gado andou a principio tonteando de campo em campo, à procura de uma touça verde, para comer. Depois malhadas de touros passaram dispersadamente, a berrar, em busca de uma poça d’água; e mais tarde, pela claridade do espaço, urubus voaram, ao cheiro das carniças: e, por longos dias, de manhã e à noite, houve pela ruína da floresta a angustia de uma musica _ a musica amargurada dos bois que choravam junto a podridão dos companheiros mortos.

Em pouco, grossos tufões de fumo rolaram espaço a riba: o calor chegou ao timbre da tortura. Clarões tingiram de vermelho a escuridão das noites, labaredas lampejavam pelo anil do firmamento: era o incêndio, lavrando amplitudes infinitas, o incêndio que rebentava das matas, sem que se soubesse como, e que ia triunfal pelo sertão, destruindo casebres e povoados, numa devastação de fim de mundo. E adeus tranqüilidade, adeus sonhos fartos de colheita, adeus farinhadas álacres.

Era a fome, era somente a fome inexorável, tirânica, macabra, que ia de porta em porta, de celeiro em celeiro, enrugando rostos, pondo corações em sobressalto.

Fizeram-se novas preces. Povoados inteiros saíam pela extensão dos campos, desciam baixadas e galgavam morros, ajoelhavam pela dureza das pedras, pelas escarpas e barrancos, de mãos erguidas aflitamente, a pedir uma gota d’água a Deus.

E nem sinais de chuva.


Era sempre o sol, aquele mesmo sol gigantesco, que tornava tudo, sempre azul, aquele mesmo azul tão lindo que fazia mal, um azul de sedução, que embriagava e endoidecia e parecia ter agulhas para nos ferir o olhar.







NOTA: Este texto foi retirado do livro "Nosso Brasil" escrito em  1944 por Luiz Amaral Wagner e era destinado ao ensino do 04º grau do primário.

sexta-feira, 11 de novembro de 2016

PENA, TINTA E PAPEL; O DIÁRIO COM MAIS DE 150 ANOS DE HISTÓRIA.

O pequeno diário. FOTO; Expedito Neto.
O que cabe em um caderno medindo pouco mais de 11 centímetros por 07 de largura e com apenas 08 páginas? Muitos iam responder que quase nada daria para nisto escrever. E se por acaso eu falasse que foram nestas poucas e pequenas paginas que foi escrito quase 150 anos de história de apenas uma família?! Pois bem, isto aconteceu e passo agora a descompactar as informações escritas outrora;

Certo dia eu fui ver o que havia dentro de um pequeno baú existente na casa de minha avó, que pertencia a minha falecida bisavó que o ganhou de herança de seu pai. Dentro deste baú de madeira com uma pintura já gasta pelo tempo, encontrei vários papeis amarelados e gastos pelo tempo. O que mais me chamou atenção foi um pequeno livreto de capa preta, unidos com um pequeno pedaço de tecido de algodão da cor vermelha. Sua estrutura física não era das melhores. Todas as suas folhas já estavam soltas, o mofo já encobria algumas paginas e o tempo se encarregava de apagar o que ali estava escrito.

Naquele pequeno memorial que passou de geração em geração, encontrei algumas informações, que vieram a enriquecer mais ainda minhas pesquisas. Primeiramente descobri que ele pertenceu a Mathias Fernandes dos Santos, nascido em 02 de julho de 1842, filho do casal Agostinho dos Santos Rosa e Marianna Gomes de Amorim e falecido a 23 de agosto de 1915.

Letra de Mathias Fernandes dos Santos FOTO;Expedito Neto.
Outra informação que me surpreendeu foi de que este Mathias, no dia 20 de Janeiro de 1865, quando ele tinha 22 anos, havia se casado com Angelina Maria da Conceição que no dia 25 de setembro de 1870, quando tinha apenas 35 anos, faleceu, deixando seu filho Antônio, único filho do casal, com 02 meses e 18 dias de nascido.

Mathias dos Santos casou-se a segunda vez com Marianna da Natividade de Jesus no mês de outubro de 1871 e com ela teve 09 filhos. Devido ao tempo, somente alguns nomes ficaram, são eles; Agostinho nascido no dia 09 de março de 1874, Eleutherio nascido em 02 de agosto de 1875, Angelina nascida no mês de fevereiro de 1877, Laurentino e Mathias que eram gêmeos, nascidos em 23 de fevereiro de 1878, Felismina nascida em 29 de abril de 1879 e Maria nascida 27 de agosto de 1886.

Quando Mathias Fernandes dos Santos faleceu em 23 de agosto de 1915, o seu pequeno diário ficou com seu quinto filho por nome de Eleutherio Fernandes dos Santos, que registrou o falecimento de seu pai, de sua mãe em 25 de setembro de 1910, de sua avó paterna em 19 de abril de 1902, com 86 anos de idade e o nascimento de seus filhos, por ordem, assim como o seu pai fez outrora.

Letra de Eleutherio Fernandes dos Santos. FOTO; Expedito Neto.
Quando Eleutherio faleceu em 28 de outubro de 1958, este diário ficou para sua filha Rita Maria de Jesus, que o guardou junto com os seus versos e poesias.

Eis ai a importância de possuirmos um caderninho ou um diário para anotarmos o que se passa de importante nos nossos dias. Esta é a forma de nos eternizarmos no tempo.






quarta-feira, 2 de novembro de 2016

OUTROS PERSONAGENS DE NOSSA HISTÓRIA.


Forte dos Reis magos, no brasil holndês. Foto; Rostand Medeiros.

A nossa História foi escrita por inúmeros personagens, que só por viver em dado lugar, marcou nosso passado. infelizmente muitos ainda não foram descobertos, mas não podemos negar a sua contribuição para a nossa História, para o nosso tempo de outrora. 

Os personagens descritos abaixo, fizeram seu papel. Deram sua contribuição à formação do nosso território que como diz Câmara Cascudo "Foi conquistado desde o tempo dos tapuias e das onças vadias!" 


SÉCULO XVIII

AFONSO DE ALBUQUERQUE MARANHÃO; foi um dos primeiros sesmeiros do município, chegando nesta região em 16 de Abril de 1706. Era filho de Matias de Albuquerque (Governador da Paraiba), era fidalgo cavaleiro da casa real, senhor de engenho em Cunhaú e capitão-mor de Goianinha. Casou-se com Isabel de Barros Pacheco e foi nomeado pelo capitão-mor Bernardo Vieira de Melo, sargento-mor das entradas do sertão. Chegou a capitania do Rio grande em 1687, com a missão de ajudar a combater os índios rebeldes.

PADRE MESTRE MANUEL DE JESUS BORGES; chegou neste território juntamente com Afonso de Albuquerque Maranhão. Era padre da Companhia de Cristo e tinha por missão nesta terra, servir de interprete entre os Colonizadores e os Índios que por aqui viviam.

JOSÉ DA COSTA; Era um índio Tapuia Panati, que vivia juntamente com seu grupo nas proximidades da Lagoa do Urai (hoje, lagoa do Junco ou do Pinhão). Chegou na Fazenda Serra Branca (hoje, Sítio Xiquexique) em 1723 por ocasião de uma seca, onde foi tomado por escravo, sendo alforriado em 1755, quando a coroa portuguesa extinguiu este tipo de escravidão. No ano de 1759, serviu de testemunha na demarcação da Fazenda Barriguda, hoje Alexandria/RN.

SALVADOR FERNANDES DA COSTA; Chegou nestas terras por volta de 1712 ainda como posseiro e só requereu as terras por ele ocupadas, no ano de 1732. O Curral da Serra, como ele suplica ao capitão-mor da Capitânia do Rio Grande, logo passou a se chamar Fazenda Serra Branca e depois Sítio Xiquexique. Em documentos de 1750, ele já aparece como defunto.

IGNACIO DA ROCHA MENDONÇA DE CARVALHO; Pediu uma data de sesmaria no Riacho do Pico Branco, juntamente com Francisco Barreto Maciel em 17 de Outubro de 1745. Na carta de data e sesmaria de Francisco de Freitas Jardim de 1752, é citado como Sargento-mor. Construiu a primeira moradia do Sítio Pico Branco, onde viveu até os anos de sua morte, deixando para seus herdeiros, sua residência e suas terras. É ele o Patriarca da família Carvalho do nosso município.

FRANCISCO DE FREITAS JARDIM: Suplicou duas cartas de data e sesmaria no ano de 1752, sendo a primeira no Riacho dos Porcos e a segunda no Olho d’água da Catunda (Cafunga). As terras por ele suplicada, serviu de palco para a eclosão do Sítio Boa Esperança em  aproximadamente 1845. Dentro de suas terras passava o antigo caminho de gado que partia da serra de Francisco Martins Roriz e seguia até Catolé do Rocha/PB.


SÉCULO XIX

MANUEL FERREIRA DA SILVA SANTIAGO; Grande senhor de escravos e proprietário das terras que hoje compreende o Sítio Tamanduá, Serrinha do Major (recebeu este nome em alusão ao dito proprietário) e Sitio Baixa, onde seus herdeiros em meados de 1845 construíram a casa grande lá existente. Era ele o proprietário de aproximadamente 20 negros que trabalhavam em suas plantações. Era neto do sesmeiro Francisco de Freitas Jardim.

FRANCISCO BARBOSA; Era escravo do Major Manuel Ferreira da Silva Santiago. Comprou sua alforria e vivia livre ao lado de sua esposa e filhos. Certo dia foi traído pelos seus próprios amigos e vendido para um dono de fazenda do Estado de Minas Gerais. Inconformado com o que acontecera, fugiu na calada da noite e iniciou uma caminhada com direção ao Norte. Só andava durante a noite para não ser preso. Somente seis meses depois, chegou ao Sitio Serrinha do Major.

FRANCELINO JOSÉ DE QUEIROZ: Era filho de José Joaquim de Queiroz e Sá e Isabel Fernandes de Queiroz. Casou-se duas vezes, a primeira com Maria José de Lacerda e a segunda com Clara Gomes de Amorim. Foi o principal responsável pela povoação do Sítio Pinhão. Possuia ainda, inúmeras partes de terras, frutos de heranças e compras. Foi nomeado Alferes da 51º Batalhão de Infantaria no ano de 1895.

JOAQUIM IGNACIO DE CARVALHO FILHO; Nasceu no Sítio Pico Branco em 6 de Fevereiro de 1888. Foi diretor de escola, promotor de justiça, juiz, deputado, vice-governador e prefeito de Natal e Martins/RN. Era filho de Joaquim Ignacio de carvalho e Maria Gomes de Oliveira Carvalho. Faleceu em 09 de Junho de 1948.


PEDRO PANPARRA; Era escravo alforriado. Morava no sopé da serra da Veneza. Exímio cantor foi assassinado com golpes de mão de pilão pela sua esposa e sogra. Foi sepultado no fogão de sua residência e só foi encontrado depois de alguns dias, quando um caçador, sentindo sua falta, resolveu ir até a dita casa. Ao chegar ao dito lugar, este, foi surpreendido por alguns urubus que estavam assentados no telhado da residência. Elas tinham matado ele e o sepultado no fogão. A notícia do crime bárbaro se espalhou e logo as assassinas foram presas.


Ainda existem muitos personagens que fizeram e ainda fazem o município de Antônio Martins/RN.


FONTE;

FUNDAÇÃO VINGT-UN ROSADO. INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE. 2000a. Sesmarias do Rio Grande do Norte. Mossoró: Gráfica Tércio Rosado/ESAM. v.1 (1600-1716).

 FUNDAÇÃO VINGT-UN ROSADO. INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE. 2000b. Sesmarias do Rio Grande do Norte. Mossoró: Gráfica Tércio Rosado/ESAM. v.2 (1716-1742).

FUNDAÇÃO VINGT-UN ROSADO. INSTITUTO HISTÓRICO E GEOGRÁFICO DO RIO GRANDE DO NORTE. 2000c. Sesmarias do Rio Grande do Norte. Mossoró: Gráfica Tércio Rosado/ESAM. v.3 (1742-1764).

CASCUDO, Luís da Câmara. 1968. Nomes da Terra: história, geografia e toponímia do Rio Grande do Norte. Natal: Fundação José Augusto.

CRISTOVÃO, C. Antônio Martins Terra da boa esperança. Natal: Sebo Vermelho, 2003. 228 p.

sexta-feira, 28 de outubro de 2016

ESCOLA ESTADUAL DESEMBARGADOR SINVAL MOREIRA DIAS, 80 ANOS DE HISTÓRIA E SONHOS.

Era nos idos da década de 1930, a vila de Vasto Horizonte, primeiro nome de Pilões/RN, já não era mais um sítio. Os casarios já ladeavam a Capela de Nossa Senhora do Perpetuo Socorro e se espaçavam entre as matas de mofumbo e velame.  Seus moradores eram os agentes do progresso que aos poucos chegava naquele lugar.

 Em meados de 1936, chega ao povoado a noticia de que em breve aquele lugar começaria a contar com um grupo escolar que seria o responsável por abrigar os alunos que lá aprenderiam os primeiros rudimento das letras e as quatro operações. A escola Isolda que antes funcionava no Sítio Figueiredo, hoje município de João Dias/RN, seria transferida para o Vasto Horizonte haja vista o crescimento acelerado na qual o povoado passava. Não demorou muito e logo se iniciou a construção do grupo escolar. Ficando o trabalho a cargo da prefeitura do município de Alexandria/RN, representada na época pelo prefeito municipal, Francisco de Paiva Cavalcante. 


No dia 30 de abril de 1937, a Escola Isolada do Figueiredo foi transferia oficialmente para a Vila de Vasto horizonte com o nome de Escola Reunidas de Vasto Horizonte, por força do decreto de numero 254/37 assinado pelo então presidente da ALRN (Assembléia Legislativa do Rio Grande do Norte), Monsenhor José da Mota Silva. 

A partir dai o então Povoado do Vasto Horizonte galgava um novo patamar, uma nova fase no crescimento, fase esta marcada pelo inicio da escolarização de crianças e jovens que na maioria das vezes, deixavam os seus sítios e a pé, percorriam longas distâncias para chegar até a Escola que ficava onde hoje funciona a Pré-Escola Magna Rodrigues.

O tempo passou e em 23 de Novembro de 1951, a Escola Reunidas de Vasto Horizonte, através da lei nº 44/51, passou a ser chamada de “Desembargador Sinval Moreira Dias”, em homenagem ao Natalense nascido em 23 de Dezembro de 1893. Esta lei foi assinada pelo então governador do Estado do Rio Grande do Norte, Silvio Pedroza. 
Flagrante realizado em frente a antiga sede da escola por ocasião do desfile de 07 de setembro.

Com a emancipação política da Vila de Pilões a município de Pilões/RN em 19 de agosto de 1963, ela passou a ser a única instituição de ensino da recém criada cidade. Em meados do ano de 1980 foi inaugurada a nova sede da Escola, construída na Rua José Bezerra.

Depois de algum tempo foi construída e Escola Municipal Joana Dantas de Moura e a Escola Estadual Francisco Antônio de Moura, onde estas assumiram o papel da educação fundamental, deixando ela responsável somente pelo ensino médio.
Escola Estadual Des. Sinval Moreira Dias. FONTE; Retirada da Internet.


Seu terreno mede 2.468,71 metros quadrados, onde 978,04 metros quadrados são construídos. Possui um galpão, uma cozinha, dois banheiros, três salas de aula, uma sala de computadores, um laboratório de ciências, um almoxarifado e uma sala onde funciona a secretaria, a diretoria e a biblioteca.

Atualmente a EEDSMD passa por muitos problemas, onde o pior é o abandono que o governo estadual tem para com ela. Mas isto não é desculpa usada pelos professores que junto com os alunos sofrem com a falta de estrutura e de materiais necessários para a execução das aulas.

É ela o solo fértil de onde brota anualmente novos universitários e novos formados que, atuando nas diversas áreas, não esquecem suas raízes de onde saíram e de onde levam as mais gratas lembranças que nem os rudes golpes que por vezes os abalam a existência, conseguiram dissipar.



Des. Sinval Moreira Dias.
QUEM FOI O DESEMBARGADOR SINVAL MOREIRA DIAS?

Filho do Desembargador Manuel Moreira Dias e Etelvina Moreira Dias, nasceu em 23 de Dezembro de 1893 na cidade do Natal e foi batizado com o nome de Manuel Sinval Moreira Dias.

Formou-se em Direito na Faculdade do Recife em 1913 e antes de sua magistratura atuou como Advogado em Aracati/CE no ano de 1913, Delegado da 4ª Delegacia Regional de Policia com sede em Martins/RN durante os anos de 1914 a 1924 e Deputado Estadual.

No ano de 1925 foi nomeado Juiz de Direito da 1ª entrância da comarca de Macau/RN, pouco tempo depois, pediu para ser transferido para a comarca de São Miguel/RN. No ano de 1930 foi transferido para a comarca de Caicó/RN. Ao termino da década de 30, foi transferido para a comarca de Natal/RN, onde serviu na segunda e terceira vara. Em 29 de outubro de 1934, foi promovido a Desembargador do Tribunal de Justiça.

No TJRN, foi eleito Vice-Presidente por sete vezes: 1937, 1938, 1939, 1940, 1941, 1942 e 1949. E Presidente por duas vezes: em 03/01/45 e 08/09/49.

Faleceu em Natal em 27 de Agosto de 1951 de causas naturais.








FONTE;
Portal do tribunal de justiça do RN. Disponível em: <http://www.tjrn.jus.br/index.php/institucional/galeria-dos-presidentes> Acesso em 27 de outubro de 2016.
Assembléia Legislativa do RN. Disponível em: <http://www.al.rn.gov.br/portal/mlp>. Acesso em 28 de outubro de 2016.

segunda-feira, 29 de agosto de 2016

PRIMEIRAS SESMARIAS E SESMEIROS DE ANTÔNIO MARTINS/RN (1706-1755).


Forte dos Reis Magos.
Fonte; Retirada da Internet.
Depois de quase um ano de pesquisa sobre as primeiras ocupações do território que posteriormente viria formar o município de Antônio Martins/RN, eis a tabela da cronologia das primeiras concessões de datas de terra em nosso município;




ANO;
SESMEIROS E DATAS DE SESMARIAS.

15/07/1706
Data de sesmaria concedida ao Padre Mestre Manuel de Jesus Borges e Afonso de Albuquerque Maranhão no lugar onde os Tapuias Canindés se escondiam nas guerras.

25/07/1732
Data de sesmaria concedida ao Padre Agostinho Gomes de Amorim no Riacho das Melancias.
20/11/1732
Data de sesmaria concedida ao Coronel Salvador Fernandes da Costa no Curral da Pendência.
22/07/1745
Data de sesmaria concedida a João Pereira de Mendonça no Olho D’água das Bassouras.
16/10/1745
Data de sesmaria concedida a Ignacio da Rocha Mendonça de Carvalho e Francisco Barreto Maciel, no Riacho do Pico Branco.
18/07/1750
Data de sesmaria concedida a Ignacio da Rocha Mendonça de Carvalho e João Pereira de Mendonça no Olho D’água do Saco.
19/07/1750

Data de sesmaria concedida a Ignacio da Rocha Mendonça de Carvalho e João Pereira de Mendonça no Olho D’água do Passo.
17/11/1752


Data de sesmaria concedida a Francisco de Freitas Jardim no Olho D’água da Caatinga.

Data de sesmaria concedida a Francisco de Freitas Jardim no Riacho dos Porcos.
24/01/1754
Data de sesmaria concedida a Bento Fernandes de Lima no Riacho das Melancias.

27/11/1755
Data de sesmaria concedia a Joam Leitam Arnozo no Riacho das Melancias.
*Tabela pesquisada e organizada por Expedito Medeiros da Silva Neto.



*A maioria destes sesmeiros, pediram terras para melhor acomodar os seus rebanhos bovinos.

*Alguns nomes de sítios permaneceram, mas outros se perderam no tempo.

*As medidas das sesmarias consistiam em uma légua de largura por três léguas de comprimento.

*Entre cada data de terra, existia um pequeno pedaço por nome de ilharga que delimitava a sesmaria concedida.

*Com essas concessões os Índios que neste território vivia, perderam o espaço e acabaram sendo escravizados, mortos ou obrigados a sair de suas terras.

*Raramente o Sesmeiro morava em sua data de terra.

*Os Vaqueiros foram os principais responsáveis pela povoação do nosso município.

sábado, 27 de agosto de 2016

O PATRIARCA DA FAMÍLIA FERNANDES DE QUEIROZ DO PINHÃO


Desde criança, ainda quando brincava pelos terreiros da minha residência com um pequeno trator de plástico, ouvia minha avó falar no Alferes Francelino, avô de meu bisavô e grande fazendeiro que batizou as terras em que vivia de Pinhão. 

Nascido por volta de 1826, Francelino José de Queiroz era filho de José Joaquim de Queiroz e Sá e Isabel Fernandes de Queiroz. Era sobrinho do Padre Pedro Fernandes de Queiroz e Sá, primeiro vigário da Paróquia de Martins em 1840 e do Major do Exu, Antonio Fernandes da Silveira Queiroz e Sá. Tinha como irmãos; Rufino Fernandes de Queiroz, Maria Joaquina da Conceição, Angelina Fernandes da Conceição e Francisca Maria da Conceição.

Casou-se a primeira vez com Maria José de Lacerda, filha do Major Agostinho dos Santos Rosa e Mariana Gomes de Amorim, com quem teve seis filhos; Francisco Fernandes de Queiroz (Chico do Pinhão), Moises Fernandes de Queiroz, Mariana Fernandes de Queiroz, Isabel Fernandes de Queiroz Maria Dominga de Lacerda e Maria Fernandes de Queiroz. Devido a um resguardo quebrado, Maria José de Lacerda, ficou com algumas sequelas que a impossibilitava de segurar as sandálias em seus pés e por esse motivo, ela utilizava pedaços de pano para segura-las. Devido a isto, ela recebeu a alcunha de Maria José pé de molambo. Faleceu pouco tempo depois de casada, deixando órfãos seus seis filhos.

Francelino José de Queiroz casou-se a segunda vez com Clara Gomes de Amorim com quem teve; José Francelino de Queiroz, Manuel Francelino de Queiroz (Neco), Joaquim Francelino de Queiroz, Antônio Francelino de Queiroz, Francisca Gomes de Queiroz, Rosenda Gomes de Amorim, Maria Gomes de Amorim e Marianna Gomes de Amorim.

Esta foi a primeira geração dos Fernandes de Queiroz que povoaram todo o Sítio Pinhão.

Francelino foi nomeado Alferes da Segunda Companhia do 51º Batalhão de Infantaria do Rio Grande do Norte, pelo decreto de N. 2.027 de 27 de maio de 1895. Estas informações encontram-se no Diário Oficial da União do mesmo ano. Neste documento, ele aparece como José Francelino de Queiroz e foi nomeado juntamente com os senhores Mathias dos Santos e José Antonio dos Santos, o primeiro seu cunhado e o segundo sobrinho de sua primeira esposa.
Recortes do Diário Oficial da União de 29/05/1895.

Alferes Francelino era um fazendeiro que possuía muitas terras, herdadas de seus pais. Ele possuia terras em Serrinha, Ponta da serra, Almas, guarita, Sampaio, Tabuleiro de Areias, Pilões, Pico Branco e sua maior propriedade, a fazenda Pinhão.

Faleceu de causas naturais na casa onde morava com seu filho, Chico do Pinhão, no ano de 1902. Está sepultado no cemitério municipal de Martins/RN.

Residência onde o Alferes Francelino viveu seus últimos dias.

Na fazenda Pinhão existiam grandes plantios de milho, feijão, mandioca e cana de açúcar. Existia um engenho de fazer rapadura e uma casa de fazer farinha, conhecida como aviamento. De acordo com seu inventário, no ano de sua morte, 1902, pastavam em suas terras 91 rezes e 39 animais cavalares.
Eis algumas poucas informações do senhor que foi o principal responsável da povoação das terras do Pinhão.



OUTRAS INFORMAÇÕES;
*O nome Pinhão surgiu devido a grande quantidade de Pinhões (jatropha curcas) que ali existia.


*A residência onde morou José de Dionísio foi a ultima moradia do Alferes Francelino.

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

UM DEPUTADO NO SÍTIO XIQUEXIQUE


Em minhas pesquisas pela zona rural de Antônio Martins/RN, tenho encontrado muitas histórias e estórias que poucos munícipes sabiam. Uma das histórias que mais me chamou a atenção foi a de certo Coronel que viveu nas terras do Xiquexique desde a segunda metade do século XIX, até inicio do século XX. O nome deste Coronel era João Bernardino de Paiva Cavalcanti.

Por ter sido informado que na cidade de Alexandria/RN existia um colégio com este nome, resolvi visitar o Instituto Zulmirinha Veras,  onde encontrei um livro intitulado “Patronos Escolares”, que foi organizado pelo presidente da instituição, o advogado e pesquisador George Veras. Este foi de muita utilidade para minha pesquisa bibliográfica. Eis então, o resumo da vida deste homem;

Cel. João Bernardino. FONTE;
Patronos Escolares.

João Bernardino de Paiva Cavalcanti nasceu em 30 de Janeiro de 1841 na fazenda de seus pais João de Paiva Cavalcanti e Delfina Ferreira de Paiva, no município de Maioridade (primeiro Nome do município de Martins quando em 10 de novembro de 1841, por força da lei de nº 71, foi emancipada do Município de Portalegre).

Suas primeiras letras foram aprendidas com professores particulares, que ensinavam em sua própria residência. Desde muito novo, João Bernardino já se mostrava interessado na pecuária e agricultura.

Casou-se com Dona Inacia de Albuquerque Barreto de Paiva (Sinhá), a 12 de Novembro de 1870. Esta era filha do segundo intendente de Maioridade, Domingos Velho Barreto Junior e Ignacia Francisca de Albuquerque. Deste consorcio nasceram quatro filhos; Horacio Barreto de Paiva Cavalcanti, Francisco de Paiva Barreto, José e João.

Sendo um dos maiores criadores da região, João Bernardino fixou moradia na fazenda Xiquexique, que naquela época pertencia ao território de Martins. Foi lá onde ele foi nomeado Coronel da Guarda Nacional em 1890 e em 1891, constrói seu sobrado que se encontra de pé até os dias atuais.


Casarão onde morou o Cel. João Bernardino e sua família.

Por ser um homem de boa índole e pacífico, foi eleito Deputado Estadual em 1900, sendo reeleito sucessivas vezes, onde em 1907, participou do congresso que reformou a Constituição do Estado. Era um deputado integro e honesto que devotava grande fidelidade ao seu partido e a suas convicções políticas.

Em 6 de agosto de 1912, na cidade de Pau dos Ferros/RN, morre o deputado que havia lutado pelo desenvolvimento de sua região, pelo povoado de Barriguda, pelo bem estar da coletividade. Faleceu depois de receber a extrema unção da igreja católica, igreja esta que ele foi fiel até o fim. Ao seu lado na hora do desencarne, estava sua esposa e seus filhos.


Com a emancipação do município de Antônio Martins em 1963, o Sítio Xiquexique passou a compor o grande território municipal, e as terras do Cel. e Deputado, encontra-se fazendo parte deste, inclusive seu belo casarão.





OBS; As informações básicas foram tiradas do livro "Patronos Escolares", que tem como organizador o advogado e pesquisador George Veras.
As outras informações foi colhida em visita ao Sitio Xiquexique.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

A CASA GRANDE DO SÍTIO BAIXA, ANTÔNIO MARTINS/RN.

Casa grande do Sítio Baixa, Construída em 1840.

Quem já visitou o sítio Baixa no município de Antônio Martins, possivelmente se encantou com um casarão em ruínas que lá existe. Aquelas paredes altas e largas ausentes de reboco, aquele teto amarronzado parecido com o solo da região, aquelas largas e altas portas, encantam os olhos de quem a ver.

Para entender melhor a história por trás daquela casa e daquele lugarejo, contei com a ajuda de um dos proprietários que de bom agrado me recebeu e me deu as informações necessárias para este apurado. José Maria é um dos descendentes diretos dos primeiros proprietários daquela gleba.

Era nos idos de 1840, quando Joaquim Vicente Ferreira Cumaru, Manuel Juvêncio de Oliveira Cumaru e Alexandrina, resolveram construir uma edificação diferente das demais existentes naquelas terras e na região. A edificação por sua vez, seria construída de tijolo e telha para ser diferente das outras residências que eram de Taipa.

Tendo como base um alicerce feito de pedras retiradas das serras que a circundam, a casa foi construída com o tijolo cozinhado nas próprias olarias localizadas nos baixios (terreno mais baixo e que nos períodos de cheias nos rios, é lavado pela correnteza. O seu solo é argiloso e rico em minerais) da região. As telhas também foram feitas no mesmo lugar.
Vista frontal do casarão. Em segundo plano, os primeiros indícios do processo de ruína.

Como na região ainda não existia casas com estes materiais, os idealizadores do projeto recorreram aos mestres de obras da cidade do Recife, no estado do Pernambuco. Depois de algum tempo, chegou ao Sítio Baixa dois pedreiros, que com a ajuda de alguns escravos, iniciaram a construção da moradia moderna.

Com a conclusão da obra, os pedreiros voltaram para sua cidade origem e os senhores proprietários passaram a habitar aquele recinto recém construído.

A casa conta com duas salas grandes, dois corredores que dão acesso a alguns quartos, duas grandes cozinhas e uma sala de jantar. Infelizmente, algumas portas foram fechadas, mas ainda é possível observar que seus cômodos seguiam o estilo de labirintos, que caso houvesse alguma invasão, seria possível fugir de lá levando alguns bens importantes.

Com relação aos proprietários, estes eram filhos de Manuel Ferreira da Silva Santiago, o Major do Sitio Serrinha do Major. Este por sua vez, era proprietário de aproximadamente 20 escravos e de grandes extensões de terras resultantes da herança de seu pai, o Sesmeiro e Sargento-mor Francisco de Freytas Jardim, que em 1752 suplicou duas datas de sesmarias na vertente do Riacho dos Porcos. O Major Manuel Ferreira nasceu no ano de 1790 e faleceu no dia 06 de Abril de 1860.

Ainda em conversa com o senhor José Maria, ele revelou-me que em breve irá reformar o casarão, não modificando sua estrutura original. Ficarei aguardando com grande ansiedade a restauração desta casa que hoje se encontra em situação de risco, sendo ameaçado cair a qualquer momento.

sábado, 20 de agosto de 2016

Escritos de Rita Maria de Jesus, minha bisavó.

A canção a seguir, foi feita por Rita Maria de Jesus para sua mãe Rita Maria da Conceição, ainda na sua juventude. Seguindo as normas paleográficas, os escritos foram mantidos como no documento original, seguindo com fidelidade a escrita e a pontuação.


Fotografia do documento paleografado.

Modinha bella

Acorda vem escutar
Vem ouvir a quem ti chama
Que eu quero ti perguntar
Si com afirmya a inda q mi ama


Estribilho
Tu mi engannase mi inludise
Roubase a minha bôa Fê
Mas com saudade e com desprezo eu te abandonno
Irei viver como Deus quizer.


Hôge mi vigi disprezo
Vou procurar outro amante
Teu coração mim foi tão falço
Q mim pra ti tê tão constante

Estribilho
Tu mi engannase mi inludise
Roubase a minha bôa Fê
Mas com saudade e com desprezo eu te abandonno
Irei viver como Deus quizer.


Voz mesmo fosse o cauzador
Di nosso amor si acabá
Maldita lora que eu ti vi
Maldito dia quando fui ti amar

Estribilho
Tu mi engannase mi inludise
Roubase a minha bôa Fê
Mas com saudade e com desprezo eu te abandonno
Irei viver como Deus quizer.

Fim.



 [...]

Pertence estas dizimas a senhorita Ritinha Fernandes dos Santos feitas por mim

Rita Maria da Conceição.


* No verso desta canção, consta o oferecimento das rimas à senhorita Ritinha Fernandes de Queiroz, que é a mesma Rita Fernandes da Conceição .

* Nesta dedicatória Rita Maria de Jesus se apresenta como Rita Maria da Conceição.

* Estes escritos foram feitos em Timbaúba, nos idos de 1920.

Rita Maria de Jesus, a Autora destes versos ainda em sua Juventude.