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| Manoel Barreto Leite, ficou durante 06 dias nas mãos do bando de Lampião. FONTE; DANTAS, 2014. |
Com a entrada
do famigerado grupo de Lampião no Rio Grande do Norte, pairava a sua frente as
noticias que alertavam as pessoas a que altura das estradas se localizavam a
horda de desordeiros. “Corre! Lampião vem aí...”, era a frase que se repetia
pelos sítios que estavam no caminho do bando do desordeiro pernambucano.
Manoel Barreto
Leite, jovem proprietário de um sítio chamado Veneza, seguia caminho em seu
cavalo para a cidade de Martins. Parecia ignorar o fato da proximidade de
Lampião daquela região. Era por volta das 3 horas da tarde do dia 11 de junho
de 1927.
Ao chegar
às proximidades do sítio Corredor, por uma estrada que hoje não é mais usada, foi
surpreendido pela horda desgraçada, que a sua frente trazia o pobre senhor
Manuel Raulino, da fazenda Morcego, que guiava o famigerado bando pelas veredas
circundantes da serra de Martins. Sabino coberto de poder, o interroga. O coitado
do “Seu Leite”, respondeu a todos os questionamentos proferidos pelo bandoleiro
e logo recebeu sua sentença; estava preso e sua liberdade estava orçada em 50
contos réis, conforme afirma o dito prisioneiro em depoimento prestado a
policia depois que foi libertado pelo bando.
Existem outras
versões levantadas com relação ao preço do resgate de “Seu Leite”. No depoimento
prestado a policia de Martins no dia 15 de setembro de 1927, pelo preso
Francisco Ramos de Andrade, conhecido no bando pela alcunha de “Mormaço”, foi dito
que o valor estipulado pelo bando para a sua liberdade foi de 05 contos de
réis. Já no diário do Cel. Antônio Gurgel, está escrito que a liberdade deste
individuo estava orçada em 02 contos de réis.
Depois de
atar as mãos do novo prisioneiro e ter liberado o velho Manoel Raulino, “Seu
Leite” foi nomeado guia, pois ele sabia os caminhos que levavam a Boa
Esperança. Ficou neste posto até a captura do tangedor João de Doca e seu
ajudante, nas proximidades da Vila. Nesta ocasião juntou-se ele à Dona Maria José
Lopes e ao velho Joaquim Moreira, que já vinham em companhia do bando desde o
município de Luiz Gomes.
| Velho Caminho de acesso ao Corredor. Neste lugar foi onde a fração do bando comandada por Sabino, capturou "Seu Leite". FONTE; Expedito Neto, 2014. |
Depois de
toda a quebradeira patrocinada pelo bando no pequeno arruado, seguiu a horda
desordeira pela noite até chegarem a fazenda de Egidio Dias, que foi também
tomado como refém, partindo com o bando com destino a Mossoró.
Os cangaceiros
já não pediam mais segredo com relação a sua presença naquelas terras.
Sitio
Caboré, chegava a feliz hora do descanso da tropa de bandidos e prisioneiros.
Egidio Dias, como se não temesse a morte, prepara a sua fuga. Convida Manoel
Barreto a participar daquela arriscada empreitada, porém, o jovem fazendeiro
declina do convite e oferece a sua discrição.
É chegada
a hora. Egidio Dias parecia ter medido os passos que ia dar e em questão de
segundos, se some na mata ainda verde, resultado do bom inverno que atingira
aquelas terras. Nenhum dos cangaceiros percebeu a fuga, e logo, também, se
iniciava o fogo travado entre alguns homens que vinham resgatar o que há
minutos tinha fugido, com a força do bandoleiro Lampião. Tombaram três;
Sebastião, Bartolomeu e Francisco.
Ao terminar
o massacre e já tendo visto que um dos prisioneiros havia fugido, o Cangaceiro
Capuxú, arrasta Manoel Barreto Leite até o local da chacina e o obriga a
segurar pelos ombros o corpo de Bartolomeu Dias, que mesmo depois de morto foi
esfaqueado diversas vezes, tendo, inclusive, seus olhos arrancados e suas vísceras
colocadas para fora.
Manoel
Barreto assistia aquilo assustado. Nunca havia presenciado tamanha barbaridade.
Seguiu o
bando o seu destino.
Na altura
da fazenda Sant’ana o bando faz mais um prisioneiro; Cel. Antônio Gurgel. Relata
ele em seu diário que existiam sob domínio de Lampião dois prisioneiros, D
Maria José e o Velho Joaquim Moreira. Então, onde estaria o jovem “Seu Leite”?
Em uma
fotografia tirada no dia 16 de junho de 1927 em Limoeiro do Norte, podemos
perceber a presença de Manoel Leite, que está vestido aparentemente como os
cangaceiros, talvez daí tivesse surgido essa afirmativa do dileto coronel.
No ataque
a Mossoró, no dia 13 de junho, ficaram os presos aquartelados nas proximidades
da cidade sob o olhar atento de 06 cangaceiros, dentre os quais estava Casca
Grossa, morto pela força policial de Martins e sepultado no mato, nas
proximidades do sítio Boágua.
Partindo
daquela cidade em fuga, chegaram os malfeitores a cidade de Limoeiro do Norte,
no estado do Ceará, no dia 15 de junho de 1927. Lá, Lampião e seu bando
descansaram, concederam entrevistas a jornais e foram fotografados por um
fotografo da cidade que pediu a Lampião para registrar aquele momento.
O padre
Vital Lucena, ficou responsável por arrecadar da população de Limoeiro 10
contos de réis para ajudar aos silvícolas que muito havia perdido no ataque ao
Rio Grande do Norte. O pobre padre só conseguiu arrecadar 02 contos e ao
entregar ao capitão Lampião, este não reclamou e ficou satisfeito.
Padre Vital,
ainda, tentou interceder pelos quatro seqüestrados, porém somente a um o chefe
do banditismo liberou, Manoel Barreto Leite.
Logo aquele
jovem recebeu as orientações e voltou ao sítio Veneza, sua propriedade e de
seus familiares, que o recepcionaram com bastante alegria e emoção.
Ao saber
da promessa que havia sido feita pelos senhores Manoel Joaquim de Queiroz, Vicente
Antonio Cardozo e Francisco Felix, logo se juntou ao trio e com grata
satisfação a Deus e a São Sebastião, contribuiu para a construção do oratório
fincado no meio da serra da Veneza.
REFERÊNCIAS:
CRISTOVÃO,
C. Antônio Martins Terra da boa esperança. Natal: Sebo Vermelho, 2003. 228 p.
DANTAS,
S. A. S. Lampião e o Rio Grande do Norte; a história da grande jornada. 2ª Ed.
Cajazeiras/PB; Gráfica Real, 2014. 450 p.
NONATO,
R. Lampião em Mossoró. 5ª Ed. Mossoró/RN; Fundação Vingt-Un Rosado, Jul. 1998.
256 p.


