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| FOTO; Chagas Cristovão, 2003. |
“Estamos, politicamente, vivendo com amor de mais!”
-Antônio Martins Fernandes de Carvalho.
Antônio Martins Fernandes de Carvalho nasceu na residência
do senhor Bianor Fernandes na cidade de Martins no dia 6 de setembro de 1905,
filho de Joaquim Inácio de Carvalho e de Maria Gomes de Oliveira Carvalho,
residentes no sítio Pico Branco, onde passou toda a sua infância.
Aprendeu as primeiras letras no Grupo Escolar Almino Afonso.
Seu pai, ao ver a sua dedicação aos estudos, o manda para estudar na cidade de
Caicó. Concluindo lá, logo foi enviado para o Rio de Janeiro, onde estudou no
Colégio Dom Pedro II. Logo ingressou no curso de Medicina da Faculdade de
Medicina do Rio de Janeiro, colando grau no dia 03 de outubro de 1932, no
Teatro “João Caetano”, ás 16 horas da tarde.
Voltando a sua terra natal, o Rio Grande do Norte, foi
nomeado médico da Policia Militar do estado por influência de seu irmão e então
prefeito de Natal, Joaquim Ignácio de Carvalho Filho. Trabalhou também como
radiologista no hospital Jovino Barreto (atual Hospital Onofre Lopes, da
Universidade Federal do Rio Grande do Norte). Foi neste período de intensos
trabalhos que ele conheceu Maria Edith Fernandes, filha do Empresário Alfredo
Fernandes.
Ficou noivo de Edith no dia 13 de junho de 1934, quando
trabalhava como medico na cidade de Mossoró. Casou-se no dia 22 de maio de
1936, na igreja de Santo Antônio, em Natal. Deste consorcio nasceu apenas um
filho, Sergio José Fernandes.
Depois de casado, retornou ao Rio de Janeiro, onde assumiu a
gerencia da empresa de seu sogro, a Alfredo Fernandes & Cia, que nos anos
50 mudou o nome para Algodoeira Fernandes S/A.
A paixão pela política, herdada de sua família, o fez se
filiar a UDN (União Democrática Nacional) ainda em 1928. Concorreu em 1952 ao
cargo de prefeito da cidade de Portalegre, dando vitória ao seu partido.
Naquele município realizou inúmeros benefícios. Por pressão dos seus munícipes,
concorreu a deputado federal, conseguindo 13.079 votos. Não conseguiu se
eleger, mas ficou sendo o primeiro suplente de seu partido, ainda o UDN.
Ocupou uma cadeira na bancada do seu partido na Câmara, por
duas vezes; de 17 de abril a 30 de julho de 1956 e de 24 de abril a 14 de novembro
de 1957.
No dia 15 de novembro de 1957, numa sexta-feira, na fazenda
Moquém (propriedade de seu Irmão, José Inácio de Carvalho), depois de escrever
sete cartas destinadas a alguns parentes e amigos, suicidou-se com apenas um
tiro no peito.
Estava assim encerrada a carreira daquele homem publico.
Logo a noticia se espalhou e no dia 16 de novembro, embarcava
o corpo do ex-deputado em um avião especial da FAB (força Aérea Brasileira), que
a pedido de sua esposa, foi sepultado no Rio de Janeiro, contrariando a sua
vontade de ser sepultado na terra que tanto amou, Martins.
Chegou ao Rio de janeiro por volta das 18 horas do dia 16 de
novembro e seguiu direto para o Palácio Tiradentes, onde ficou exposto em
câmara ardente por toda a noite e manhã do dia 17. Depois seguiu o seu esquife
para a Capela Real Grandeza, onde foi recomendado e em seguida seguiu para o
cemitério São João batista, onde até os dias de hoje, descansa.
A comoção tomou de conta de todos os que conviveram com ele
e ao mesmo tempo, se perguntavam o Porquê daquilo que acontecera com um homem
simples, assistencialista e apaixonado pela sua terra. Até hoje se desconhece
os reais motivos que o levaram a isto.
A HOMENAGEM PÓSTUMA
Jocelyn Villar de Melo, casado com Alzira Carvalho, irmã de
Antônio Martins, então Deputado Estadual, resolveu emancipar o Distrito de
Demétrio Lemos e ao mesmo tempo homenagear o seu cunhado a quem tinha grande
admiração. Logo encaminhou ao Palácio do Governo o Decreto nº 334 de 17 de
dezembro de 1958.
O Governador do Estado, Dinarte Mariz, declarou este Decreto
inconstitucional, sendo este engavetado, até o ano de 1962 quando houve
novamente a tentativa de emancipar Antônio Martins, então Distrito de Demétrio
Lemos, do município de Martins, sendo efetivada somente no dia 26 de Março de
1963.
FONTES:
CRISTOVÃO, C. Antônio Martins Terra da boa esperança. Natal:
Sebo Vermelho, 2003. 228 p.
CÂM. DEP. Deputados; TRIB. SUP. ELEIT. Dados.
Jornal da tarde, Rio de Janeiro. 17/ Nov./1957.
A luta democrática,
Rio de Janeiro. 17/ Nov./1957.
Diário de Natal,
Natal. 16/Nov./1957.

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